A ansiedade da coalhagem em Hass: Campanha peruana de 2024
Na primavera ou durante a época de floração, é normal sentir ansiedade sobre como o evento irá se desenrolar, já que o sucesso da campanha depende disso.
No momento em que os frutos recém-formados começam a cair, as equipes técnicas ficam apreensivas com a possibilidade de uma má frutificação. Não podemos esquecer que são necessárias 10.000 flores para colher um fruto; portanto, se uma árvore produz 80 quilos de frutos (400 frutos) na colheita, isso significa que havia 4 milhões de flores. Logo, deveriam haver mais cachos de frutos visíveis no chão, entre as flores e os frutos pequenos, do que os que estão pendurados na árvore.
À medida que a campanha atual se desenrola na costa peruana, não há calor excessivo, e isso é corroborado pelos valores de ETo.
Essas taxas de evaporação baixas e variáveis, juntamente com outros fatores relacionados ao manejo técnico (e não apenas à radiação), são precisamente o que causa o declínio fisiológico esperado em dezembro e janeiro. Como podemos entender esse processo?
- Uma primavera com dias nublados e ensolarados variáveis, e níveis altos e baixos de ETo, se traduz em riscos desordenados em volume, frequência e salinização do bulbo; portanto, alarmes são acionados indicando que algo está acontecendo na planta, e um desses riscos é a síntese de etileno, que induz a queda dos frutos.
- Nesta temporada, a qualidade das colmeias foi baixa, com quadros incompletos, o que afetará negativamente a frutificação. Além disso, como já mencionei em diversas apresentações, as abelhas precisam ser manejadas e incentivadas a coletar pólen de polinizadores, e não apenas da variedade Hass, o que geralmente ocorre em lavouras onde esse conceito não é aplicado. Simplesmente posicionar as abelhas ao longo dos caminhos, sem forçá-las a coletar pólen de variedades polinizadoras localizadas em estações de polinização, obviamente torna seu trabalho menos eficiente para maximizar a produtividade da Hass. Também é importante entender que, em anos com primaveras menos favoráveis à frutificação, uma fruta com vigor híbrido (mãe Hass, pai polinizador) terá uma porcentagem maior de frutificação e frutos de melhor tamanho na colheita.
- O uso de reguladores de crescimento tem sido observado em muitas fazendas, em baixas concentrações. No entanto, para que sejam eficazes e alterem o comportamento da planta para melhorar a frutificação e desacelerar temporariamente o crescimento, é necessário observar o enrugamento das folhas dos brotos novos. O argumento que se ouve é que eles não querem
A fotografia mostra a aparência da folha após o uso correto dos reguladores.

- Existe um receio em relação à fertilização nitrogenada porque ela causa aborto de frutos, mas quando se analisam as fases foliar e de floração, observa-se que o nível de nitrogênio é baixo durante a floração e a frutificação. Complementando isso, há a necessidade de acumular reservas de nitrogênio na planta entre o verão e o inverno. É importante entender que o nitrogênio, quando usado corretamente, melhora a frutificação e o tamanho dos frutos, e não o contrário. Tendo tido a oportunidade de prestar consultoria em diversos países, um fator recorrente quando há baixa produtividade é a relutância em aplicar nitrogênio e o receio em relação ao seu uso. Ironicamente, aminoácidos são aplicados para promover a frutificação, mas não nitrogênio (que é o que produz aminoácidos).
- Pessoalmente, não analiso a radiação como um fator isolado; ela deve ser incorporada ao manejo do pomar. Se o nível de radiação for considerado alto, a lógica indica que se deve fornecer mais sombra e reduzir a área interna do pomar, cobrir o solo com cobertura morta em plantios novos que ainda não projetam sombra e garantir que a irrigação seja feita corretamente — é melhor irrigar em excesso do que em falta.
- Manejo de árvores frutíferas. O ramo mais produtivo do abacateiro Hass é o rebento vigoroso, e a explicação é a seguinte: na safra atual, os frutos estão concentrados na parte superior da árvore. Não é a altura que explica isso, mas sim o fato de os rebentos serem verticais, e o hábito de produção do abacateiro Hass ser o de frutificar na ponta do rebento. Além disso, se relacionarmos esse conceito de rebentos com a radiação, seria pertinente questionar se a parte externa e superior da árvore é onde ela está mais exposta à radiação, o que seria negativo para a produção. Então, por que é justamente nessa região que se concentra a maior quantidade de frutos? Portanto, não devemos atribuir a culpa por um resultado ruim à radiação.
Precisamos fazer com que a árvore trabalhe para nós, e não o contrário. Na natureza, aplica-se a lei do mínimo esforço, o que significa que um pequeno estímulo produz um grande resultado ou resposta. Acredito que o manejo de abacateiros está se tornando muito mais complexo à medida que buscamos compreender melhor o ambiente que influencia o seu funcionamento interno.
É simples assim se você simular a geração do microambiente de onde se origina a variedade com a qual estamos trabalhando. É importante entender que esse microambiente é o ponto de partida, e não o ambiente inóspito que o cerca.
Marco Mattar Fajardo
Colômbia