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Colômbia, a vingança

Todas as indústrias enfrentam contratempos em seus estágios iniciais, aprendendo com o tempo até atingirem a maturidade. A indústria do abacate Hass na Colômbia, após diversos obstáculos, está finalmente consolidando práticas de gestão bem-sucedidas para alcançar crescimento e melhorar sua produção. Antes da pandemia, muitas empresas estrangeiras viam a Colômbia como um segundo México, capaz de fornecer abacates Hass durante todo o ano para o mundo inteiro, aumentando as expectativas para o desenvolvimento de projetos no país. Mas a natureza tinha outros planos, dando uma recepção dura a todos os novos projetos que tiveram que suportar o inverno mais rigoroso da história da Colômbia, com dois anos consecutivos de chuvas, e recentemente um dos verões mais severos já registrados. E parece que essa será a tendência para os abacates tropicais com o aquecimento global, onde os pomares sem irrigação perderão potencial produtivo e, devido ao aumento do estresse, desenvolverão rapidamente a podridão da madeira.

Na busca por água, que a Colômbia possui em abundância, muitos projetos foram localizados em áreas de alta altitude, algumas até mesmo em altitudes excessivas, próximas aos páramos (ecossistemas andinos de altitude), onde a incidência solar é tão baixa que os pomares de abacate desenvolveram um ciclo vicioso, incapazes de induzir naturalmente a floração. Os pomares mais afortunados sobreviveram, mas tiveram que esperar mais de quatro anos para a frutificação, perdendo a precocidade e impactando a rentabilidade do projeto. Embora as altitudes mais elevadas apresentem menos pragas e doenças, também oferecem menor potencial de rendimento; no entanto, possuem uma vantagem comercial: o clima ameno permite a produção de frutos sem estresse, com melhor qualidade interna, que podem permanecer na árvore por períodos mais longos, aguardando o momento ideal de comercialização.

Em altitudes mais baixas, as plantas apresentam maior precocidade e maior potencial de frutificação, com a frutificação ocorrendo em quase todas as florações, mas quando cultivadas sem irrigação, produzem um produto mais debilitado, semelhante ao abacate peruano, que apresenta sérios problemas de condição.

Churchill definiu sucesso como a capacidade de ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo. E é assim que a Colômbia está atualmente consolidando os passos fundamentais para iniciar a vingança, que sempre chega.

1. Irrigação: Essencial, especialmente em altitudes abaixo de 2.000 metros acima do nível do mar, pois os verões se tornarão cada vez mais longos e rigorosos. A irrigação é crucial não apenas durante a estação seca, mas também para a fertirrigação, visto que a nutrição de nutrientes é muito complexa em solos tão deficientes em fósforo, cálcio, potássio, magnésio, zinco e ferro. A fertilização manual mensal, com sua alta ineficiência, resulta em árvores fracas e suscetíveis a pragas e doenças. Além disso, os frutos produzidos em pomares subnutridos são de baixa qualidade, apresentando tamanho reduzido e, pior ainda, em péssimas condições, levando a perdas no destino final. É muito difícil para a indústria colombiana ser competitiva sem investir em fertirrigação. A instalação de reservatórios de água nas fontes hídricas é necessária para viabilizar aplicações semanais no verão e a cada 15 dias no inverno, o que geralmente é suficiente. Se o inverno for prolongado e rigoroso, deve-se utilizar a fertilização foliar, mas a fertilização nunca deve ser interrompida.

2. Manejo do Solo: Abacateiros plantados em antigas plantações de café sobreviveram, mas pomares plantados em pastagens de gado com pisoteio prolongado apresentaram graves problemas de drenagem e alagamento devido à compactação nos primeiros centímetros do solo. Atualmente, muitos pomares necessitam de restauração completa e apresentam alta carga de microrganismos patogênicos, como Phytophthora sp. e Fusarium sp., que precisam ser controlados.

Os testes iniciais com canteiros elevados foram muito bem-sucedidos, soltando o solo e misturando as camadas em áreas com perfil mais pobre, facilitando a drenagem e a oxigenação da zona radicular. Após a construção do canteiro elevado, segue-se um período de maturação do perfil do solo, durante o qual a chuva compacta o solo, tornando-o pronto para o plantio após 2 a 3 meses, sem problemas de erosão. Em áreas com a Lei 2 (lei agrícola local) onde o uso de máquinas é proibido, a solução tem sido manual, utilizando uma enxada rotativa ao longo das curvas de nível para subsolar o solo. Esta é então substituída por um arado de aiveca para criar um pequeno canteiro elevado. Com as primeiras chuvas de inverno, recomenda-se o uso de um implemento Hercules em áreas baixas que recebem mais umidade para garantir a drenagem ao redor das plantas mais frágeis.

Na Colômbia, é muito comum encontrar, no manejo do solo, valas ou semicírculos cavados à mão sobre as plantas que, em vez de drenar, atraem água, tornando-se canais de umidade. Valas verticais podem ajudar, mas as diagonais ou horizontais só causam a morte das plantas ao redor.

As estradas também são essenciais, pois não só permitem a movimentação de máquinas para facilitar a colheita, como também ajudam na drenagem do solo. Em algumas áreas, observou-se que as encostas permanecem úmidas por mais de um ano devido à presença de grandes bolsas de umidade subterrâneas. Recomenda-se planejar o pomar, arar o solo, construir estradas e observar o escoamento da água após o inverno antes do plantio, visto que a maioria das encostas apresenta falhas geológicas que devem ser identificadas antes do cultivo.

3. Viveiros: É necessário abordar essa questão, pois há muita informalidade no setor de viveiros colombiano. As opiniões sobre o porta-enxerto ideal variam, mas os resultados são claros e semelhantes aos de outros setores. O "criollo de tierra caliente" (crioulo de clima quente) é uma variedade caribenha que apresenta desempenho moderado em sua região de origem. Quando levado para altitudes mais elevadas, sofre com o estresse do frio, cresce mal e, como qualquer boa variedade caribenha, não tolera umidade excessiva. O "criollo de tierra fría" parece ser um híbrido com ascendência guatemalteca, exibindo alta heterogeneidade. Assim, em áreas frias e úmidas, o porta-enxerto Hass é atualmente o preferido, não por ser excepcional, mas por não haver opção melhor. Com uma seleção tão limitada de porta-enxertos, projetar pomares bem-sucedidos é um desafio, mas bons resultados estão sendo observados com os porta-enxertos Zutano, Semil e clonais. É importante considerar que os porta-enxertos clonais possuem dois enxertos, e o nível de especialização necessário para produzir uma boa planta clonal leva tempo. Deve-se ter cautela ao escolher um viveiro, sendo os porta-enxertos Zutano e Semil a abordagem mais prudente.

Outro fator importante é o fungo da madeira, facilmente observável na junção entre o enxerto e o porta-enxerto, exigindo o uso de tinta fungicida para sanitizar essa área sensível. Ao utilizar enxertos em V ou enxertos de encaixe, é mais difícil igualar os diâmetros, deixando muito ar entre os tecidos e causando oxidação. A indústria reluta em usar enxertos laterais, portanto, levará tempo para aprimorar essa técnica. Por fim, a altura da enxertia é importante, pois quanto mais alta a enxertia, mais fraca a brotação do enxerto, e vice-versa.

Idealmente, trabalhe com plantas pequenas para evitar o enovelamento das raízes e facilitar sua aclimatação no campo, realizando uma rega sanitária ao receber o material do viveiro.

4. Polinizadores: Há uma boa sobreposição de flores masculinas e femininas na Colômbia, com algumas variações dependendo da altitude, o que leva alguns a acreditar que variedades polinizadoras são desnecessárias neste país. No entanto, quando chega o verão, o estresse hídrico é tão grande que pode ocorrer aborto em frutos pequenos, médios e grandes antes da colheita, levantando questões sobre o vigor do embrião diante do estresse hídrico. No campo, a variedade Edranol apresentou baixa eficácia como polinizadora, enquanto a variedade Zutano se mostrou muito eficaz, assim como em diversas regiões do mundo. Essa contribuição do pólen é importante na Colômbia para a obtenção de frutos híbridos vigorosos, visto que o embrião precisa suportar dois verões entre a floração e a frutificação, produzindo hormônios de estresse que causam aborto.

5. Reguladores de crescimento: Em altitudes mais baixas, com temperaturas mais altas e maior incidência solar, a floração tende a ser mais precoce, enquanto em altitudes mais elevadas, com clima frio e nublado, é necessária intervenção para equilibrar a brotação, estimulando a ramificação lateral para acelerar o início da produção. As práticas de manejo variam consideravelmente dependendo do limiar de temperatura, permitindo diferentes densidades de plantio para climas quentes e frios, a fim de evitar a superlotação.

A aplicação de reguladores de crescimento deve começar no plantio, visando a formação das primeiras flores no primeiro ano. Isso pode resultar em 2 a 3 frutos por árvore, o que não é muito produtivo, mas estrategicamente é muito importante para abrir o ângulo de inserção dos ramos principais, promovendo uma copa aberta desde cedo. Se a frutificação não ocorrer no primeiro ano, recomenda-se a poda dos ramos.

6. Anelamento: Em altitudes médias e baixas, o anelamento dos ramos permite modificar a fenologia da cultura, visando os melhores períodos comerciais. Pode ser usado para retardar a brotação, induzir a floração e promover a frutificação, reduzindo assim a queda de frutos. Em altitudes elevadas, em condições frias e nubladas, os resultados são bastante irregulares, apresentando melhorias em 6 a 12 meses, dependendo da duração do inverno.

A espessura da incisão varia de acordo com o nível, pois a velocidade de cicatrização é diferente.

Recomenda-se pintar a ferida imediatamente para evitar o aparecimento de fungos na madeira.

7. Pragas e Doenças: Esta é uma das áreas em que os profissionais agrícolas da Colômbia possuem maior experiência. O aprendizado é rápido, especialmente se houver investimento em treinamento para o desenvolvimento de equipamentos eficazes de monitoramento em campo. As pragas mudam do verão para o inverno, mas as infestações por ácaros estão se tornando cada vez mais severas e persistem por quase toda a estação, com resistência observada aos acaricidas.

No início da frutificação, utilizam-se pesticidas com maior atividade residual, mas à medida que o desenvolvimento dos frutos progride, é preciso ter cuidado com os resíduos para evitar rejeições no destino.

O mais importante é manter as plantas saudáveis e em boas condições para que o monitoramento seja eficaz, permitindo o controle de pragas e doenças em seus estágios iniciais.

O desenvolvimento de consórcios microbianos que estimulem o crescimento das raízes e também reduzam os patógenos do solo é fundamental para se obter um pomar saudável e produtivo.

8. Poda: Nos trópicos, sob condições de alta umidade relativa e cobertura de nuvens, as plantas enfraquecem e tornam-se lentas com o tempo, não conseguindo gerar novas raízes e apresentando envelhecimento acelerado a partir do sétimo ou oitavo ano, murchando e morrendo rapidamente. A poda e o balanceamento da folhagem com o sistema radicular ajudam a planta a manter sua aparência jovem. A folhagem aberta, com melhor ventilação, resulta em menos doenças, pois a luz é essencial, aumentando a eficácia das pulverizações.

A grande maioria dos pomares na Colômbia ou não realiza podas ou as realiza de forma inadequada, praticando apenas desbastes tímidos em altitudes mais elevadas, mantendo uma copa fechada e escura e concentrando a frutificação apenas na periferia da folhagem. Uma copa aberta e bem ventilada permite um aumento no volume de folhagem produtiva, resultando em frutos protegidos, sem estresse e com melhores características pós-colheita.

Gonzalo Vargas

gvargascarranza@gmail.com

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