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Aborto Zero

Todas as árvores frutíferas passam por um ajuste de carga após a floração, mas os abacateiros continuam a sofrer abortos de frutos mesmo alguns meses antes da colheita. A primeira queda de frutos no verão é considerada normal e até necessária para o desenvolvimento do tamanho do fruto e o subsequente crescimento de novos frutos, mas a queda subsequente de frutos que esta árvore frutífera sofre é completamente anormal e facilmente evitável. No Chile, a frase clássica "Olhe para cima, não para baixo" é frequentemente usada no outono, normalizando a queda de frutos nessa estação e sugerindo que pouco pode ser feito. No entanto, diversas práticas de manejo têm reduzido com sucesso a queda de frutos no outono, chegando até a eliminá-la completamente. Esses pomares experimentam uma queda de frutos no verão, onde a planta ganha tempo para determinar quais embriões são adequados para a colheita e quais devem ser descartados rapidamente, começando em dezembro e terminando no final de fevereiro, com os últimos frutos caindo no chão. Em março, a planta já completou a frutificação e, diferentemente de outros pomares, não sofre uma segunda queda tardia de frutos. Os tratamentos que reduzem ou eliminam completamente essa segunda queda de frutos no outono são descritos aqui.

- Gestão da folhagem: Todos os pomares que realizam a poda corretamente após a colheita apresentam, posteriormente, menos abortos do que os pomares que não realizam a poda ou, pior ainda, que praticam o armazenamento excessivo de frutos.

Fertilização Biológica: O uso de sais aumenta a condutividade elétrica (CE) do solo, afetando o sistema radicular. Dada a alta sensibilidade do abacateiro à salinidade, o trabalho com biofertilizantes elimina o estresse salino na zona irrigada, reduzindo rapidamente o aborto dos frutos. Vale ressaltar que todos os vales com salinidade apresentam um segundo aborto significativo no outono, diminuindo consideravelmente o potencial de rendimento da cultura. Aumentar o carbono do solo, desenvolver cobertura morta e inocular o perfil do solo com consórcios microbianos são essenciais para mitigar os efeitos da salinidade no solo cultivado. A microbiota se alimenta dos sais que afetam o abacateiro, reduzindo a CE na zona irrigada.

Nitrogênio: Nossa agricultura depende fortemente do nitrogênio, priorizando a produção de folhagem em detrimento dos frutos. Ao equilibrar o nitrogênio no programa de fertilização, o crescimento vegetativo se desenvolve de maneira mais uniforme, apresentando brotos com ramificação lateral e evitando a proliferação de rebentos que competem com o desenvolvimento dos frutos. A grande maioria do setor prioriza os nutrientes na seguinte ordem: NKP-Micronutrientes-Ca-C, enquanto os melhores resultados são obtidos com K-Ca-PC-Micronutrientes-N. Ao adiar a aplicação de nitrogênio para o final do ciclo e reposicionar K, Ca e P como nutrientes fundamentais, as plantas se concentram na produção de frutos e, com o tempo, corrigem as deficiências foliares. Essa nova abordagem de fertilização fortalece os embriões desde o início e reduz a competição durante a formação embrionária.

Nutrição Floral: Desde o estágio de couve-flor até a frutificação, pulverizações com Ca + B + Zn + Ácido Giberélico + 6-BA + Bioestimulantes promovem maior crescimento da panícula, o que, em última análise, engrossa o futuro pedúnculo do fruto, prevenindo a formação do anel de abscisão, reduzindo a queda de frutos e aumentando a produção de frutos duplos e triplos. Este efeito notável exigiu duas a três aplicações de nutrição floral, mesmo em encostas íngremes, utilizando aplicações aéreas menos eficazes e aplicações terrestres com bico de pulverização ou canhão que proporcionam maior cobertura.

- Polinizadores: Pomares com duas variedades polinizadoras, especialmente Negra de La Cruz, apresentam maior frutificação inicial, menor queda de frutos no outono e maior frutificação final, resultando em maior potencial de rendimento. A formação de um embrião com genética tolerante ao estresse é crucial para reduzir a abscisão dos frutos durante o verão e o outono.

Fisiologia do Estresse: Ao reduzir o estresse durante o verão, a planta produz menos hormônios de envelhecimento, como o etileno e o ácido abscísico, resultando na perda apenas dos frutos mais fracos por aborto. A aplicação de extrato de algas marinhas e bioestimulantes via irrigação, desde a frutificação até o final do outono, ajuda a reduzir o estresse do verão, estimulando o crescimento prolongado das raízes, o que, em última análise, fortalece as plantas. Nas últimas duas safras, avaliamos dois produtos de origem mexicana que estão apresentando resultados notáveis no desenvolvimento dos frutos. O primeiro é o AV5G, que reduz o aborto de frutos no outono, e o segundo é o LPG456, que, além de reduzir o aborto, também melhora a qualidade pós-colheita, minimizando as perdas que podem ocorrer na comercialização de frutos para exportação. A Agroenzymas, empresa responsável por esses produtos, desenvolveu essas misturas contendo formulações de diferentes bioestimulantes que, quando aplicados via foliar ou irrigação, aumentam a tolerância ao estresse, equilibrando o crescimento da planta ao direcionar mais energia para o desenvolvimento dos frutos e prevenir a queda dos mesmos. Ao alcançar um equilíbrio na brotação, é possível reduzir ou mesmo suspender a aplicação de Uniconazol foliar ou via irrigação, evitando problemas de resíduos ou afetando o crescimento de plantas mais fracas.

Gonzalo Vargas

gvargascarranza@gmail.com

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