Temporada de abacate mexicano 2024-25: Como está o desenvolvimento do gigante?
A Avobook conversou com Antonio Villaseñor, diretor da Aztecavo, bem no meio da sua temporada principal, que tem apresentado calibres menores, impactando a tonelagem total projetada, em comparação com uma temporada normal.
O México é o maior produtor mundial de abacates. Isso não mudou e provavelmente não mudará. No entanto, uma análise dos números da safra 2024-25 revela diversos aspectos singulares que tornam esta temporada diferente, com uma produção de frutas inferior à de um período típico, quando a produção pode chegar a 1.400.000 toneladas, das quais 85% são exportadas para os Estados Unidos.
O principal motivo é o tamanho dos frutos, já que os pomares estão produzindo o mesmo número de unidades, porém, em sua maioria, menores, devido à falta de chuva que afetou a produção.
Assim explica Antonio Villaseñor, diretor do Aztecavo e colunista frequente do Avobook, reconhecendo que "esta temporada tem sido muito diferente das anteriores".
“Encontramos tamanhos excepcionalmente grandes, atípicos para nossos campos, e em certo momento pensamos que as coisas poderiam melhorar. No entanto, ao longo da temporada, vimos que os tamanhos menores continuam a prevalecer. Normalmente, nosso tamanho máximo é de calibres 48 e 60, e nesta temporada estamos vendo que está mais em torno de 60 e 70, de modo geral, nos pomares na época da colheita”, explica ele à Avobook.
Por esse motivo, tem sido mais difícil abastecer o mercado adequadamente, o que teve impacto nos preços, com uma diferença sem precedentes entre os tamanhos.
“Tivemos uma diferença de preço muito significativa. Por exemplo, a diferença entre um tamanho 48 e um tamanho 60 chegou a US$ 20 ou US$ 25, quando normalmente a diferença é de apenas US$ 5 a US$ 10, no máximo, na caixa de 25 libras, que é o tamanho padrão nos Estados Unidos”, explica Villaseñor.
Tonelagem projetada de agora até junho
A temporada mexicana vai de julho a junho. Para a temporada de 2024-25, a projeção era de 1.300.000 toneladas. Atualmente, a produção está em aproximadamente 50% dessa estimativa.
“Atualmente, estamos colhendo cerca de 700 mil toneladas, e há mais 600 mil toneladas que serão distribuídas ao longo das semanas restantes até o final de junho. Isso nos dá cerca de 30 mil toneladas de colheita por semana”, explica Villaseñor.
Desse volume, cerca de 15 a 20% permanecem no mercado local. O restante é destinado aos Estados Unidos, portanto, as projeções indicavam um total aproximado de 1.200.000 toneladas enviadas para aquele país.
“Agora estamos verificando se essas estimativas se confirmam”, diz o diretor da Aztecavo, que observa que os embarques irão flutuar.
“As 30 mil toneladas por semana são calculadas considerando condições uniformes. Mas haverá semanas muito movimentadas, como as próximas ao Super Bowl, e semanas muito fracas, como o feriado da Páscoa, que aqui no México são praticamente férias e todo mundo fecha. Esse será o ponto mais baixo do que resta”, explica ele.
Os preços compensam a diminuição da tonelagem.
As estimativas atuais projetam uma queda de 11% em comparação com a temporada passada. Em termos de tonelagem exportada, a diferença será de cerca de 5%.
No entanto, a situação se inverte quando se trata de preços para os produtores: “Observamos uma diferença significativa nesta temporada, que começou em julho. O preço médio provavelmente dobrou em relação ao ano passado. Isso é especialmente verdadeiro para os tamanhos maiores, que alcançaram preços muito mais altos em comparação com a temporada passada. Portanto, embora os pomares tenham produzido menos, o preço para os produtores tem sido muito melhor.”
“De certa forma, o preço compensou o produtor pela falta de tonelagem em alguns casos”, explica ele.
A perspectiva em relação ao tamanho dos frutos não parece estar mudando até junho. Aliás, Villaseñor afirma: “A princípio, pensamos que seria algo temporário e que veríamos uma melhora nos tamanhos, mas, no fim, continuamos na mesma situação. Vamos ver se conseguiremos frutos maiores nos meses mais frios ou se, definitivamente, terminaremos a temporada com frutos de tamanho médio. E isso, obviamente, terá um impacto no mercado, como já vimos.”
Por esse motivo, prevê-se uma ligeira escassez de frutas no México entre agora e maio ou junho. Essa lacuna seria preenchida pela produção da Califórnia, que — segundo Villaseñor — "está tendo uma safra muito boa".
“Temos que esperar para ver o quanto os ventos e os incêndios em algumas áreas os afetarão, mas tudo indica que isso conquistará parte do mercado que o México normalmente abastece”, disse ele à Avobook.
As colheitas melhoram para o Super Bowl.
Diante desse contexto, resta saber como será atendida a alta demanda por abacates dos Estados Unidos durante a semana do Super Bowl, que historicamente representa o pico da temporada.
“Será um desafio muito importante”, reconhece Villaseñor, especialmente porque a escassez de calibres grandes está tornando a promoção por parte dos grandes distribuidores mais complexa.
“Talvez os varejistas tenham que reduzir um pouco suas margens de lucro”, diz Antonio Villaseñor.
O que melhora as perspectivas é a melhoria nas colheitas durante as primeiras semanas de janeiro.
“As duas últimas semanas de dezembro foram muito fracas, em parte devido à escassez e em parte porque muitas pessoas saíram de férias. A primeira semana de janeiro melhorou, e esta semana foi muito boa. A próxima semana deverá ser muito forte, assim como a seguinte. E os embarques para o Super Bowl já começaram. Então, veremos o quanto o estoque aumenta e o quanto as vendas aumentam, para equilibrar a oferta e a demanda”, conclui o diretor da Aztecavo.