Análise das primeiras 5 semanas do mercado de abacate Hass na China (2025)
O início de 2025 para o abacate Hass no mercado chinês foi marcado por preços estáveis, mas com pouco interesse por parte dos compradores. Esse comportamento reflete um fenômeno recorrente: a atenção se concentra principalmente nas cerejas chilenas nas semanas que antecedem o Ano Novo Chinês, deixando outras frutas em segundo plano.
Durante as duas primeiras semanas do ano, abacates peruanos de boa qualidade, em caixas de 4 kg (tamanhos 20 a 24), foram vendidos por preços entre 80,00 e 100,00 RMB. Esses preços, que representam um FOB Callao/Chancay de aproximadamente US$ 7,70 a US$ 10,10, são considerados razoáveis para a época. Nesse período, abacates de casca lisa de marcas renomadas atingiram a faixa de preço mais alta (100,00 RMB), e até mesmo valores superiores em alguns casos.
Da terceira à quinta semana, o preço na extremidade inferior da faixa de produção subiu ligeiramente, estabilizando-se entre 90,00 e 100,00 RMB por caixa de 4 kg. Apesar dessa pequena melhora nos preços, a atividade comercial permaneceu lenta. A quinta semana, em particular, foi marcada por uma inatividade quase completa devido ao início do feriado chinês. Isso não é incomum, já que as cerejas chilenas normalmente atraem a atenção do mercado durante esse período. No entanto, este ano a falta de interesse pelos abacates foi ainda mais acentuada, agravada pelos baixos preços das cerejas, que causaram pânico entre os importadores. Muitos deles fizeram pagamentos antecipados significativos aos exportadores chilenos, adiantamentos que, em alguns casos, não foram recuperados pela receita de vendas, piorando ainda mais sua situação financeira.
Contexto econômico e perspectivas para 2025
O ano de 2024 foi difícil para a China, marcado pelo colapso do setor imobiliário e demissões em massa em empregos de alto valor agregado, resultando em uma clara queda no poder de compra. No entanto, no final de 2024 e no primeiro mês de 2025, começaram a surgir sinais de recuperação e resiliência econômica. Avanços em áreas como veículos elétricos, inteligência artificial e automação, bem como energia limpa, destacam-se como pilares dessa retomada. Combinados com o pacote de estímulo governamental massivo, podemos ter um otimismo cauteloso para 2025, um contexto que pode favorecer uma retomada no consumo de frutas como o abacate Hass no mercado chinês.
Competição com abacates chilenos
Os abacates chilenos também estão presentes no mercado chinês e são vendidos a preços mais altos, chegando a 125 RMB por caixa de 4 kg. Essa diferença de preço se deve à maior consistência na qualidade do produto chileno, especialmente à ausência de problemas na polpa, o que motiva os compradores chineses a pagar um preço premium.
Tráfego de contêineres do Peru para a China
Em termos de exportações, as primeiras semanas do ano refletiram um baixo volume de embarques do Peru. Durante as semanas 1 e 2, foram embarcados 4 e 2 contêineres, respectivamente. No entanto, a semana 3 registrou um aumento significativo, com 43 contêineres embarcados em 4 navios diferentes. Destes, 9 tinham como destino Hong Kong e 34 Xangai, representando o pico de embarques para janeiro. Embora não acreditemos que esse volume seja suficiente para causar um colapso no mercado, é importante monitorar e observar atentamente a evolução do número de contêineres que saem do Peru semana a semana. Da mesma forma, quando esses contêineres chegarem entre as semanas 9 e 10, teremos um indicador confiável que nos dará uma ideia de como o mercado de abacate se comportará em 2025.
Na quarta semana, os embarques diminuíram para 22 contêineres, quase metade do número anterior. Essa queda se explica pelo atraso de uma semana do navio WAN HAI 625, que estava programado para partir no domingo, 26 de janeiro, mas teve sua partida adiada para 2 de fevereiro. Esse atraso permitiu que mais exportadores se juntassem ao embarque, portanto, espera-se um novo pico nos volumes de embarque na quinta semana.
Visão geral dos exportadores e custos
Em janeiro, praticamente todos os exportadores peruanos eram empresas dedicadas à coleta, processamento e exportação de abacates Hass para a China. A fruta provém principalmente dos Andes peruanos, de pequenos produtores em regiões como Ayacucho, Andahuaylas, Apurímac e Áncash, entre outras. O modelo de compra predominante é o preço fixo na esteira transportadora ou no campo, com preços médios para tamanhos de 12 a 24 variando entre 6,60 e 7,20 soles por quilo exportável. Para que esses preços de compra sejam minimamente lucrativos, as vendas na China precisariam atingir aproximadamente RMB 95,00 a RMB 100,00 por caixa de 4 kg. Esse cálculo demonstra claramente que os preços de compra atuais não estão alinhados com a situação do mercado internacional, limitando os lucros potenciais por contêiner, já que atualmente apenas frutas de altíssima qualidade em caixas com marca reconhecida atingem essa faixa de preço.
Conclusão e perspectivas
Janeiro foi um mês geralmente calmo e estável para o abacate Hass na China. No entanto, a verdadeira dinâmica do mercado surgirá após o Ano Novo Chinês. Muitas empresas aguardam a definição dos preços a partir de 10 de fevereiro. Será crucial analisar como a complexa situação com os abacates chilenos afetará nosso "ouro verde" nas próximas semanas, em um contexto no qual os importadores enfrentam desafios financeiros significativos.
A combinação de uma perspectiva econômica mais animadora na China e a resiliência do setor de exportação agrícola do Peru podem abrir oportunidades significativas no curto e médio prazo. No entanto, a adoção de estratégias flexíveis e o monitoramento atento do mercado serão essenciais para capitalizar as tendências emergentes.
André Vargas, Gerente Global de Compras da South American Express Co., Diretor Comercial da Fruwer Produce LLC , avargas@fruwer.com